O terceiro dia no Cárcere
Três dias já se completavam naquele cárcere. Do mundo lá fora, Vítor só podia ver a luz do sol, que com dificuldade passava pela janela pequenina. Preso. Um golpe, sem nenhuma dúvida. Vítor era um cronista de uma revista famosa e bem vista por todos.
Escrevia indignado com as crises políticas de seu país. Tanta corrupção, tanta desonestidade…Criticou duramente a ditadura em que se encontrava o Brasil. O AI-5 (Ato Constitucional nº 5), havia piorado (se ainda possível) ainda mais a situação brasileira. Costa e Silva tinha se revelado um horrível tirano, mas também não muito diferente dos outros militares que haviam chegado ao poder.
Então Vítor foi preso apenas por tentar conscientizar a população, que odiava tudo o que estava acontecendo…mas nada fazia para impedir.
Preso…sem nenhuma acusação…preso…por tentar defender seus direitos de cidadão, que até esses poucos lhe foram tirado.
Então passos foram escutados no corredor. Os únicos barulhos que nosso cronista havia ouvido nesses últimos três dias nessa cadeia eram gritos de dor e desespero. Inúmeros jornalistas já haviam sido mortos cruelmente, e Vítor sabia que sua vez chegaria.
E percebeu que já essa hora já havia chegado quando soldados pararam em frente a sua cela.
Cinco horas de tortura se seguiram. Estava nu, amarrado em um “pelourinho” e davam choques em sua língua. Esses choques não lhe mataram, mas eram fortes o bastante para lhe darem diarreias constantes.
-Confesse! Confesse que é um comunista! – os soldados gritavam…mas Vítor não poderia confessar ser algo que não era, não?
E não confessou…já estava a beira da morte quando os homens de verde desistiram da tortura…então propuseram:
-Faça um documento confessando ser um comunista…então pouparemos a sua vida.
Não, Vítor era digno. Nunca se prestaria aquele papel. Mentir…e sabia que o matariam um segundo após assinar o documento. Negou então.
Seus sapatos foram tirados, e suas meias também…enforcado com as próprias meias, para aparentar suicídio.
Um mártir, um mártir desconhecido, mas que morreu por sua causa e pelo seu país.
Escrito por Jennifer às 00h02
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